Inmetro tem primeira patente concedida na AlemanhaProjeto foi desenvolvido em parceria com UFBA e universidade alemã e quer reduzir a incerteza na realização de pequenos torques.

No começo de agosto, o Inmetro recebeu, na Alemanha, a carta-patente de uma invenção desenvolvida no Laboratório de Força (Lafor), da Dimci. Feita em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Técnica de Ilmenau (TU Ilmenau), essa é a primeira patente examinada e concedida para o Inmetro. No Brasil, o depósito também foi feito junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), mas ainda aguarda exame e concessão.

 A invenção patenteada busca reduzir a incerteza na realização de pequenos torques – grandeza associada ao movimento de rotação de um determinado corpo em razão da ação de uma força. O servidor da Dimci e inventor da patente, Rafael Oliveira, explica que há necessidade crescente de realização de pequenos torques com menor incerteza, principalmente como resultado da produção industrial em tamanho cada vez menor. “Um exemplo chave é a montagem automatizada de juntas miniaturizadas em diversas aplicações industriais como hardware, equipamentos odontológicos, próteses, relógios e outros”, disse. Ainda de acordo com o pesquisador, para satisfazer essa demanda há necessidade de pesquisa fundamental para estabelecer um novo Padrão Primário da Faixa do Baixíssimo Torque, como base para uma cadeia confiável de rastreabilidade desta grandeza.

Diferente dos métodos tradicionais, o sistema desenvolvido na pesquisa utiliza uma massa, na forma de esfera, móvel sobre um braço de alavanca, o que permite variar o comprimento e, portanto, o torque de referência gerado. Uma medição sem contato e de alta qualidade do posicionamento dessa esfera permite realizar a sequência necessária de medições de forma mais suave e contínua, conforme as normas de calibração da área. A inovação reduz os problemas quando se pretende gerar torques muito baixos.

Sistema desenvolvido na pesquisa e patenteado na Alemanha utiliza massa na forma de esfera sobre um braço de alavanca.

De acordo com a servidora da Divisão de Inovação Tecnológica (Ditec), Ana Carolina Pinto, como a patente já foi concedida na Alemanha, foi solicitada a prioridade interna no depósito no Brasil, para que a patente brasileira tenha a mesma data da alemã, se concedida. 

A servidora explica que patente é “o direito de excluir temporariamente terceiros de comercializar aquilo que você desenvolveu”. É uma forma, portanto, de proteger conhecimentos considerados estratégicos. Depois que um pedido é depositado, não é possível que outra pessoa faça um pedido igual em outro País, já que não haverá mais a novidade – um dos requisitos para se fazer um depósito. “O mesmo titular, como é o caso do Inmetro, pode depositar o pedido em vários países e, assim, ter direito de excluir terceiros em cada um desses países”, esclareceu. 

Parceria

A parceria entre as três instituições deu-se no âmbito do Programa Bragecrim/Capes “Brazilian-German Collaborative Research Initiative on Manufacturing Technology”, para parcerias entre instituições de ensino do Brasil e da Alemanha no campo da produção e da manufatura. 

Na primeira etapa do programa, em 2009, o Inmetro participou como colaborador no projeto “Scientific Fundamentals for the Realization and Measurement of Small Torques”. Em 2011, a participação no programa foi aprofundada, com o início do doutorado do servidor Rafael Oliveira na área de metrologia de torque. “Estamos muito felizes com a patente e acreditamos que o Inmetro tem muito potencial para contribuir para a inovação no País, principalmente se abrirmos propostas e possibilidades de pesquisa para intercâmbios multidisciplinares e de mais interação entre as áreas da instituição”, disse o pesquisador.