Brasil, Argentina e Uruguai desenvolvem instrumentos para medir correntes e tensões elétricas

O Inmetro, o Instituto Nacional de Metrologia da Argentina (INTI) e o laboratório designado de eletricidade e magnetismo do Uruguai (UTE) construíram, em parceria, instrumentos para medir a corrente elétrica e a relação entre tensões elétricas, possibilitando redução das incertezas de medição praticadas, melhor atendimento das demandas dos clientes externos e economia de recursos.

A construção dos dispositivos foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito de um projeto que visa ao desenvolvimento de três sistemas de referência de medição de potência elétrica em altas frequências no Cone Sul. 

O projeto é coordenado pelo pesquisador da Divisão de Metrologia Elétrica do Inmetro, Gregory Kyriazis, que ressalta que os benefícios do desenvolvimento dos instrumentos - mais barato do que a aquisição - vão além da economia de recursos financeiros. “É uma mudança de paradigma, em que a pesquisa e o desenvolvimento desempenham papel fundamental. O projeto tem estimulado a interação entre os metrologistas da região. Todos os institutos participantes do projeto têm se beneficiado dos conhecimentos tácitos incorporados durante o processo de desenvolvimento de produtos”, avaliou. Hoje, o Inmetro, o INTI e a UTE estão capacitados para construir seus próprios shunts de corrente e divisores de tensão resistivos, investigar suas limitações e promover aperfeiçoamento contínuo.

Um dos conjuntos de divisores de tensão resistivos construídos pela UTE
Um dos conjuntos de divisores de tensão resistivos construídos pela UTE.

No âmbito do projeto, a Divisão de Metrologia Elétrica (Diele) do Inmetro construiu dois conjuntos de shunts de corrente – instrumentos usados para medir a corrente elétrica – que demandaram investimento de R$ 97 mil. Se tivessem sido importados, teriam custado mais de R$ 530 mil.  “O Inmetro decidiu apostar na competência e na dedicação de sua equipe técnica para colaborar com este projeto entre os três países”, explicou o chefe da Divisão de Metrologia Elétrica, Edson Afonso.

A Divisão de Eletricidade do INTI construiu três conjuntos de shunts de corrente e o Laboratório da UTE três conjuntos de divisores de tensão resistivos – instrumentos usados para medir a relação de tensões elétricas. O trabalho foi feito em equipe, com a participação de metrologistas dos três institutos. 

 “O desenvolvimento de um padrão de referência de potência elétrica de banda larga é de grande importância para assegurar a qualidade das medições nas novas tecnologias de iluminação e de geração de energia elétrica”, explicou o gerente operacional de Metrologia e Qualidade do INTI, Héctor Laiz.

Os sistemas de referência de medição em desenvolvimento exigem equipamentos adicionais que também estão sendo construídos no âmbito do projeto. O INTI está iniciando a montagem dos conversores analógico-digitais sigma-delta e dos geradores digitais de sinais arbitrários baseados em tecnologia DDS (síntese digital direta). O Inmetro está iniciando a montagem dos amplificadores de transcondutância e dos amplificadores de potência.

“Este projeto de cooperação permitirá melhorar as capacidades de medição de cada instituto e prover os conhecimentos específicos na área de potência e energia elétrica. Dado o êxito da presente etapa deste projeto, esperamos poder seguir realizando projetos técnicos de cooperação no âmbito das medições elétricas”, reforçou o chefe da Divisão de Eletricidade do INTI, Lucas Di Lillo.

“O Laboratório da UTE considera este projeto de grande valor, tanto por seu resultado como pelo desenvolvimento tecnológico de nossos institutos, promovendo a cooperação mútua e demonstrando a capacidade técnica regional”, adicionou o chefe do Laboratório da UTE, Daniel Slomovitz.

Um dos conjuntos de shunts de corrente construídos pelo INTI
Um dos conjuntos de shunts de corrente construídos pelo INTI.