Inmetro promove curso sobre métodos alternativos ao uso de animais em testes de laboratórios

Termina em setembro o prazo estabelecido pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) para que sejam adotados 17 métodos alternativos validados que reduzam, refinam ou mesmo substituam o uso de animais em pesquisas científicas. Para compartilhar sua experiência nessas metodologias, o Inmetro, coordenador técnico da Plataforma Regional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais de Experimentação (PReMASUL), realiza, desde 2016, capacitações voltadas a representantes da indústria, de instituições públicas e de universidades brasileiras e de outros países do Mercosul.

Nesta semana, teve início o 16º curso oferecido pela PReMASUL, voltado à “Avaliação da Citotoxicidade e da Fototoxicidade de Substâncias Químicas”. As aulas, práticas e teóricas, acontecem no Campus de Inovação e Metrologia e contam com 15 participantes, sendo 12 brasileiros, 1 argentino, 1 uruguaio e 1 paraguaio. 

De acordo com Luciene Balottin, pesquisadora do Inmetro e coordenadora técnica da PReMASUL, há dois cenários envolvidos na substituição do uso de animais por métodos alternativos: as questões éticas e a busca por modelos mais refinados para avaliar a resposta em humanos.

Além disso, a disseminação de métodos alternativos também facilita o acesso a mercados exigentes. “Algo que nos impulsiona muito é o acordo fechado recentemente entre o Mercosul e a União Europeia. Quando se fala sobre convergência regulatória, essas iniciativas ganham muita importância”, afirmou a pesquisadora.

Pesquisadora do Inmetro, Luciene Balottin, conduz primeira aula do curso

Os cursos oferecidos pela PReMASUL seguem as diretrizes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Alinhar as práticas do laboratório em que atua na Unesp Araraquara a essas diretrizes é o principal objetivo de Nathalia Fregonezi, uma das participantes da capacitação. 

Alexandre Ferraz, químico industrial que trabalha com pesquisa e desenvolvimento de produtos no segmento escolar, também é um dos integrantes da turma. “Desde 2016, minha empresa atua de forma muito intensa na utilização de métodos alternativos. É um posicionamento, não é uma estratégia para vender. O curso vai contribuir para aprender a olhar a matéria-prima de forma diferente, para desenvolver o produto com segurança”, afirmou. 

A Plataforma Regional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais de Experimentação é uma iniciativa do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com foco na capacitação de recursos humanos em metodologias de ensaios exigidas pela Resolução Normativa nº18/2014 do Concea. No total, 199 pessoas já participaram dos cursos oferecidos por meio da plataforma.