Inmetro reúne academia e setor produtivo para discutir inovação em metrologia

Nos dias 3 e 4 de outubro aconteceu a primeira edição do evento “Inovação em Metrologia”. Com o tema “energia”, o encontro, promovido pela Divisão de Inovação Tecnológica do Inmetro, reuniu pesquisadores do Instituto, representantes da academia e do setor produtivo para discutir oportunidades de parceria e demandas tecnológicas do setor.
 
O diretor de Metrologia Legal, Marcos Trevisan, participou da abertura do evento e falou sobre a importância de diversos atores atuarem de forma sinérgica. “O Inmetro está aberto e com muita vontade de trabalhar com inovação. Queremos nos aproximar da indústria e da universidade e aglutinar vontades em comum para desenvolvermos trabalhos que sejam de cooperação e estímulo para a economia nacional”, afirmou. 

Diretor de Metrologia Legal faz a abertura do evento
Diretor de Metrologia Legal, Marcos Trevisan, faz a abertura do evento.

 
Os dois dias do evento foram divididos em duas fases: na parte da manhã, palestras e mesas-redondas e, na parte da tarde, sessões fechadas com grupos de trabalho para discussão de questões específicas que foram levantadas durante o encontro. 
 
Na primeira manhã, Danilo Ribeira, da Light, falou sobre inovação no combate às perdas de energia, fundamentais em um contexto que combina uso intensivo de ar-condicionado por conta das altas temperaturas, ambiente de violência e cultura da fraude. “Inovação não está só em inventar, mas em usar o que está disponível de forma a atingir os objetivos”, afirmou. Ribeira indicou os principais tipos de fraude e os projetos de inovação desenvolvidos para enfrentá-los.

Danilo Ribeira, da Light, apresenta palestra no primeiro dia
Danilo Ribeira, da Light, faz apresentação na primeira manhã do evento.


Em seguida, Marcelo Martins, do Laboratório de Metrologia e energia elétrica do Inmetro, apresentou um pitch de projeto com o nome “Medidor de energia elétrica em ambiente de geração distribuída: avaliação de desempenho com confiabilidade metrológica”. Ele tratou das modificações na rede elétrica com o surgimento de novas tecnologias e da necessidade de haver confiança nas medições realizadas.
 
Durante a primeira manhã houve, ainda, duas mesas-redondas. A primeira teve como foco as demandas do setor elétrico convencional para apoio à inovação tecnológica com foco em metrologia e contou com representantes da Enel, do Cepel e da Itron. Entre outras questões, eles falaram sobre investimentos e expectativa em relação às redes elétricas inteligentes (Smart grid).
 
Já a segunda mesa-redonda trouxe as demandas do setor elétrico renovável. Participaram da discussão representantes das associações brasileiras de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), de Geração Distribuída (ABGD) e de Energia Eólica (ABEEólica). De acordo com Stephanie Betz, da ABSOLAR, projeções indicam que em 30 anos o uso da energia solar irá ultrapassar a hídrica no Brasil.
 
O diretor de Metrologia Científica e Tecnologia, Valnei da Cunha, deu as boas-vindas a representantes do setor de óleo & gás no segundo dia de evento. Executivos das agências reguladoras, indústria e associações discutiram os desafios do setor com a introdução de novas tecnologias. 

Rafael Almeida de Jesus, engenheiro da Petrobras, abriu a manhã de debates com o tema ‘Desafios de uma jornada de Transformação Digital na indústria de O&G’. Segundo destacou, o mercado está em mudança brusca, incorporando novos processos, com expressiva melhora em eficiência e tempo. “Muitos players da indústria vão ter ganhos exponenciais com a adoção de medidas em transformação digital e inovação em geral”, comentou.

Com o painel “Desafios impostos pelas novas tecnologias para o setor de O&G sob a perspectiva da sustentabilidade”, Karine Fragoso, da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), citou que o mercado de petróleo é a grande oportunidade de voltarmos a alavancar nossa economia. “É a chance de ampliarmos ainda mais a participação do gás natural na matriz energética brasileira, que tem um papel na sustentabilidade e transição na matriz energética, com a descarbonização e a descentralização de suas atividades. E isso tudo passa pelos desejados impactos das novas tecnologias”, resumiu.

Na sequência, Edisio Junior, da Diretoria de Metrologia Legal do Inmetro, apresentou o Pitch de projeto “Avaliação do desempenho metrológico dos sistemas de medição dinâmica utilizados na indústria de óleo e gás”. A série “Inovação e Metrologia” encerrou a edição com uma mesa-redonda: Luiz Octávio Vieira Pereira da Petrobras e Gustavo Menezes da ANP juntaram-se aos primeiros palestrantes e discutiram as principais demandas do setor de O&G para apoio à inovação tecnológica. 

Os principais resultados e encaminhamentos do evento serão sintetizados em um documento, que poderá nortear futuros trabalhos do Inmetro para os setores elétricos e de óleo & gás.