Pesquisadora do Inmetro desenvolve método para caracterizar biomassa de microalgas

A pesquisadora tecnologista do Laboratório de Análise Orgânica (Dimci/Dimqt/Labor), Maíra Fasciotti, publicou na revista Analytical Chemistry, uma das mais respeitadas da área de química analítica, o artigo intitulado de “Investigating the Potential of Ion Mobility - Mass Spectrometry for Microalgae Biomass Characterization”. Ele trata do desenvolvimento de um método analítico utilizando a técnica de mobilidade iônica acoplada (TWIM) à espectrometria de massas (MS) para a caracterização da composição de biomassa de microalgas, com foco na análise de triacilgliceróis, que são os compostos precursores de biodiesel feitos a partir de algas. Os combustíveis derivados da biomassa, renováveis, têm um papel importante neste cenário de crescente preocupação com os impactos ambientais oriundos da utilização de combustíveis fósseis.

A metodologia desenvolvida ajuda a avaliar se determinada microalga é adequada ou não para a produção de biocombustível, por meio da caracterização de metabólitos e lipídios presentes nessas biomassas, que é feita de forma mais rápida e abrangente utilizando a metodologia demonstrada no artigo. “O trabalho foi um dos capítulos da minha tese de doutorado e também foi uma parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), que produziu as amostras de microalgas, e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”, comentou Maíra.

Os extratos de microalgas foram primeiramente analisados por infusão direta na fonte Electrospray (ESI), sem prévia separação cromatográfica (DI-ESI-TWIM-MS). A segunda estratégia foi a análise de metabolômica e lipidômica untargeted por cromatografia líquida de ultra-eficiência (UPLC) acoplada a mobilidade iônica e análise independente de dados como forma de aquisição de MS (UPLC-HDMSE).

Dezesseis biomassas de microalgas foram avaliadas por ambos os métodos. A DI-ESI-TWIM-MS pôde separar diferentes classes de metabólitos, tornando a tipificação de microalgas mais evidente. Já a análise por UPLC-HDMSE, identificou 1251 diferentes compostos, detalhando quimicamente os perfis lipídicos desses extratos de biomassa de microalga. Foi possível discriminar os triacilgliceróis (TAGs) por meio das determinações das seções de choque dos íons correspondentes, aumentando a confiança em suas identificações. As duas estratégias abordadas se mostraram bastante adequadas para serem aplicadas na indústria de algas, ajudando a identificar quais são os melhores gêneros e espécies, assim como condições de cultivo, para aplicações específicas de microalgas em biotecnologia.

O artigo, publicado na edição de junho, pode ser conferido no link.