Vencedor do Prêmio Nobel de Física visita Inmetro para conhecer trabalhos com grafeno

Nesta sexta-feira (06/09), o Inmetro recebeu a visita do físico russo-britânico Konstantin Novoselov, que junto com Andre Geim ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2010 pelo trabalho que realizaram na obtenção do grafeno. Ele veio conhecer os laboratórios onde são desenvolvidas pesquisas com esse importante material, que tem potencial de revolucionar processos industriais dos mais variados setores.

O pesquisador estava acompanhado pelo professor da Universidade de Singapura, Antonio Castro Neto, e pelo representante de Desenvolvimento de Negócios de Singapura, Ricardo Schaefer. Também participaram do encontro representantes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Centro Brasileiro de Pesquisa Física (CBPF), além dos diretores do Inmetro, Valnei da Cunha (Metrologia Científica e Tecnologia) e José Mauro Granjeiro (Metrologia Aplicada às Ciências da Vida), e suas equipes.

Novoselov ressaltou que o grafeno não pode mais ser visto como um material do futuro: ele já está no mercado, trazendo novos desafios e oportunidades. “O Inmetro pode contribuir muito para a industrialização do grafeno e de outros materiais no Brasil. Definitivamente, [falta de] padronização é uma das coisas que impedem a propagação de nanomateriais na indústria e acho que é responsabilidade do Inmetro ajudar nesse processo”, afirmou.

O professor Antônio Castro Neto ressaltou que, para que haja um grande impacto, é fundamental combinar diversos atores: indústria, governo, academia e detentores de capital. “É uma questão de tempo para que esse material esteja impactando a vida de todos”, disse.

O diretor de Metrologia Científica e Tecnologia, Valnei da Cunha, lembrou que a articulação com o setor produtivo está alinhada à nova missão do Inmetro. “Estamos focados no apoio à indústria, em promover a competitividade”, destacou.

Na Divisão de Metrologia de Materiais do Inmetro, as principais linhas de pesquisa que utilizam grafeno estão relacionadas a dispositivos eletrônicos, sensores de pressão, nanocompósitos e sensores eletroquímicos para fármacos. De acordo com Novoselov, o trabalho científico desenvolvido pelo Instituto na área de grafeno está nos níveis internacionais mais altos. “O desafio é como linkar padrões científicos aos padrões industriais. É preciso criar padrões secundários que possam ser usados pela indústria”, alertou.