Segurança alimentar: comparação internacional mostra capacidade do Inmetro na medição de micotoxinas

Café, amendoim, milho, trigo, entre diversos produtos alimentícios devem respeitar um limite máximo de micotoxinas, substâncias tóxicas formadas por fungos e que podem estar presentes principalmente em grãos. Demonstrando sua competência em produzir materiais de referência para medição de micotoxinas em amostras diversas e sua capacidade de apoiar a produção nacional, o Inmetro participou de uma comparação-chave promovida pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) e obteve excelentes resultados. 

Essa primeira rodada (CCQM-K154a) avaliou a competência em produzir material de referência certificado de solução de zearalenona, uma micotoxina frequentemente encontrada em milho no Brasil. A próxima rodada será com Aflatoxina B1, umas das micotoxinas mais tóxicas, que pode ser encontrada em amendoim, por exemplo.

A comparação faz parte de um programa chamado Capacity Building and Knowledge Transfer (CB&KT), que tem o objetivo de ajudar os Institutos Nacionais de Metrologia (INM) de todo o mundo a desenvolver a capacidade de produzir soluções de calibração de micotoxinas, para garantir medições com qualidade, confiabilidade e comparabilidade, contribuindo para alimentos seguros em nível global. Nesta comparação-chave participaram, além do Inmetro, os INM da Argentina, do Quênia, da África do Sul, da Turquia, da Tailândia, do Canadá, da Grécia e da China. 

Todos os institutos produziram seus materiais de referência de solução de calibração e os enviaram ao BIPM, que avaliou a capacidade de medição ao checar a concordância entre os valores certificados informados e o valor encontrado pelo próprio Bureau Internacional em cada um deles. 

“Materiais de referência puros e soluções de calibração de micotoxinas possuem custos elevadíssimos e por isso a importância de desenvolvermos capacidades de produção local desses materiais”, afirmou Eliane Rego, pesquisadora do Laboratório de Análise Orgânica do Inmetro, que participa do programa do BIPM desde 2016. 

Com o bom resultado da comparação, o Instituto pretende disponibilizar parte do lote produzido a laboratórios acreditados ou usar esta solução de calibração para medição de outros materiais de referência em estudo ou ensaios de proficiência.